Caracterização do Software para Pesquisa na Universidade
- Mestranda: Daniela Feitosa (dfeitosa@ufba.br)
- Orientadora: Christina von Flach (flach@ufba.br)
Estudo Piloto
O estudo piloto foi realizado com o objetivo de testar a nossa estratégia de pesquisa e refinar os instrumentos antes da aplicação no estudo principal. Essa fase inicial permitiu avaliar a viabilidade do método, identificar desafios e aprimorar os processos.
🔍 Metodologia: Como foi realizado?
Seleção do Grupo de Pesquisa
O estudo piloto foi conduzido com um grupo de pesquisa selecionado com base em critérios estabelecidos e conveniência. A escolha considerou os seguintes fatores:
- O grupo atende aos critérios de seleção definidos para a pesquisa principal.
- Conhecemos o pesquisador responsável pelo grupo e ele demonstrou interesse na iniciativa.
- Há um envolvimento direto do pesquisador no desenvolvimento de software do grupo.
- O grupo possui um histórico de desenvolvimento de software para pesquisa, tornando-o um caso relevante para testar a metodologia.
Avaliação do Software
- O pesquisador forneceu o repositório para um software para pesquisa desenvolvido pelo grupo de pesquisa.
- Avaliamos o software para pesquisa sob duas perspectivas: (1) sustentabilidade ou direcionada a sua longevidade, e (2) abertura (openness) ou aderência aos princípios FAIR (\textit{FAIRness}).
- O relatório com os resultados foi gerado e enviado para pesquisador responsável pelo grupo.
📊 Critérios de Avaliação
A avaliação do software para pesquisa foi realizada manualmente, por meio da inspeção de informações disponíveis no repositório público do software.
Sustentabilidade
A avaliação da sustentabilidade do software para pesquisa busca determinar se o mesmo é sustentável com base em critérios relevantes para a engenharia de software e para o ecossistema científico. Na nossa avaliação, consideramos as 16 práticas listadas na tabela abaixo:
Tabela 1: Critérios de Sustentabilidade
P | Descrição |
---|---|
P1 | O software está hospedado em um repositório público |
P2 | O software utiliza controle de versão |
P3 | O software adota explicitamente uma licença |
P4 | O software está registrado e apresenta um DOI |
P5 | A estrutura de arquivos do projeto comunica a finalidade de seus elementos |
P6 | O software usa formato de dados e interfaces padronizadas |
P7 | A documentação apresenta uma visão geral do software |
P8 | O software possui testes |
P9 | O código é revisado antes de ser publicado |
P10 | O projeto de software utiliza rastreador de tarefas e bugs |
P11 | Tarefas repetitivas são automatizadas |
P12 | Há integração e implantação contínuas |
P13 | Há lançamento de versões do software |
P14 | Há evidência de uma comunidade (presente ou futuro) |
P15 | O software é divulgado para a comunidade acadêmica |
P16 | Há uma forma recomendada para citação do software |
FAIRness
A avaliação de FAIRness do software para pesquisa avalia o seu grau de aderência aos princípios FAIR, originalmente definidos para dados de pesquisa, adaptados para software. Os princípios FAIR buscam oferecer uma visão para melhorar o compartilhamento e a reutilização de dados ou software por pessoas e máquinas.
A tabela abaixo lista as práticas observadas no software de pesquisa:
Tabela 2: Critérios de FAIRness
Princípio | Descrição |
---|---|
F1 | O software recebe um identificador globalmente único e persistente. |
F1.1 | Aos componentes do software que representam diferentes níveis de granularidade são atribuídos identificadores distintos. |
F1.2 | As diferentes versões do software recebem identificadores distintos. |
F2 | O software é descrito com metadados detalhados. |
F3 | Os metadados contém de forma clara e explícita o identificador do software que descrevem. |
F4 | Os metadados seguem os princípios FAIR, são pesquisáveis e indexáveis. |
A1 | O software é pode ser obtido por meio de seu identificador utilizando um protocolo de comunicação padronizado. |
A1.1 | O protocolo é aberto, gratuito e universalmente implementável. |
A1.2 | O protocolo permite procedimentos de autenticação e autorização, quando necessário. |
A2 | Os metadados são acessíveis, mesmo quando o software não está mais disponível. |
I1 | O software lê, escreve e troca dados de acordo com padrões da comunidade relacionados ao domínio. |
I2 | O software inclui referências qualificadas a outros objetos. |
R1 | O software é descrito com uma variedade de atributos precisos e relevantes. |
R1.1 | É atribuída uma licença clara e acessível ao software. |
R1.2 | O software possui informações detalhadas de procedência. |
R2 | O software inclui referências qualificadas a outros softwares. |
R3 | O software atende aos padrões relevantes da comunidade do domínio. |
📄 Relatório do Projeto Piloto
O relatório completo do projeto piloto está disponível para download no link abaixo:
🔒 Nota sobre privacidade: Para garantir a confidencialidade dos participantes, todas as informações sensíveis, como nomes de softwares, URLs e outros identificadores, foram anonimizadas.
🔜 Próximos Passos
Com base nas lições aprendidas no piloto, o estudo principal seguirá um formato semelhante, mas com ajustes para otimizar a análise de dados. Se você faz parte de um grupo de pesquisa e tem interesse em participar do estudo real, entre em contato!
- Daniela Feitosa – dsfeitosa@ufba.br
- Christina von Flach – flach@ufba.br